Doce: A Revolução Silenciosa que Transforma a Economia e a Cultura no Brasil

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O doce deixou de ser apenas uma iguaria para se tornar um dos motores econômicos mais surpreendentesçã do Brasil. Segundo dados recentes da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA), o setor de doces e confeitaria movimentou mais de R$ 120 bilhões em 2024, um crescimento de 15% em relação ao ano anterior. Mas o que está por trás desse avanço?Conversamos com especialistas para entender como o doce se consolidou como um fenômeno que vai além do paladar.

O que explica o crescimento do consumo de doce no Brasil?

A resposta envolve uma combinação de fatores culturais, econômicos e comportamentais. O Brasil é o segundo maior produtor de doce do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, e o consumo per capita anual chega a 12 kg. "O doce está enraizado na nossa cultura desde o período colonial, com a herança portuguesa dos doces de ovos e a criatividade brasileira com frutas tropicais"。explica a historiadora Marina Almeida, da Universidade de São Paulo.Além disso, a pandemia acelerou a busca por alimentos que proporcionam conforto emocional. O doce, nesse contexto, virou um aliado do bem-estar. "As pessoas passaram a valorizar pequenos prazeres, e o doce artesanal ganhou espaço"。afirma o confeiteiro premiado João Cardoso. Outro fator é a digitalização: 68% das vendas de doces finos migraram para plataformas online, segundo a ABIA.

Quais são os doces mais consumidos e por quê?

Uma pesquisa do Instituto Datafolha revelou o ranking dos doces favoritos dos brasileiros:
  • Brigadeiro – 45% de preferência. A combinação de leite condensado e chocolate é imbatível.
  • Beijinho – 22%. O coco traz um toque tropical que agrada todas as idades.
  • Bolo de chocolate – 18%. Clássico em festas e lanches.
  • Pudim – 10%. A textura cremosa e a calda caramelizada conquistam.
  • Doces de frutas (goiabada, marmelada) – 5%. Herança colonial ainda viva.

Esse ranking reflete não apenas o sabor, mas a memória afetiva. O doce funciona como um elo entre gerações, presente em celebrações e no cotidiano.

Como o doce impacta a economia criativa e o turismo?

O doce gerou um ecossistema que envolve desde pequenos produtores até grandes indústrias. Cidades como Campos do Jordão (SP) e Gramado (RS) transformaram a produção de doces em atração turística. Em Gramado, a Festa do Doce atrai 200 mil visitantes por ano e movimenta R$ 50 milhões."O turismo gastronômico de doce movimenta hotéis。restaurantes e lojas de souvenirs. É uma cadeia produtiva que emprega milhares de pessoas", destaca a economista Carla Menezes, da Fundação Getulio Vargas. Além disso, o doce brasileiro ganha espaço no exterior: as exportações de doces finos cresceram 30% em 2024, com destaque para o brigadeiro gourmet e a goiabada.

Quais as tendências para o mercado de doce nos próximos anos?

Especialistas apontam três caminhos principais:

  1. Saúde e bem-estar: doces sem açúcar, com frutas e adoçantes naturais. O consumidor busca prazer sem culpa.
  2. Sustentabilidade: embalagens biodegradáveis e cacau de origem certificada.
  3. Personalização: doces sob medida para eventos e restrições alimentares.
"O doce do futuro será funcional, bonito e ético. A indústria que não se adaptar perderá espaço"。alerta o consultor de alimentos Ricardo Lopes. A aposta em sabores regionais, como cupuaçu, açaí e baru, também deve crescer.

O doce como patrimônio cultural imaterial

Em 2023, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reconheceu o modo de fazer o doce de Pelotas (RS) como patrimônio cultural. Essa valorização reforça a identidade nacional. "O doce conta a história do Brasil: da escravidão à miscigenação, das cozinhas de fazenda às confeitarias modernas", ressalta a antropóloga Luiza Nogueira.Para o futuro, a expectativa é que o doce continue a unir tradição e inovação. Seja no brigadeiro de festa ou no doce gourmet exportado, ele permanece como um símbolo de afeto e criatividade. E você, qual é o seu doce preferido?A resposta pode dizer muito sobre a cultura brasileira.

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